


alexandre colchete
28 05 1986
guilherme da mata
10 08 1988
rafael di celio
21 02 1990
layout por alexandre colchete
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[Segunda-feira, Agosto 04, 2008]
Cego pelo poste lá do alto; de luz azul, pintando o céu, cobrindo o nu, se passando por um gosto mais feliz. Dizem acender-se pela manhã. Há de se desligar, também, deixando mostrar o vão-espaço das cores e dos ares, das dores e dos pares. Das cores, enfim.
postado por alexandre colchete em: [2:47 PM];
[Sábado, Março 31, 2007]
horácio gosta de assistir filmes de terror, de ler romances, de violinos, de concertos, tirar a poeira de carmélia com um pano de algodão, de chá, de livros, de botar as moedas em água morna para deixá-las brilhando, de cachecol, de fotos de baixa saturação puxando ao tom de sépia, de manter as coisas organizadas em caixas, de vinho, de água morna para o banho, de água gelada para beber, de suco de cenoura, de cerveja, de toalhas laranjas, de batatas com alecrim no forno, de rock, de chuva, de calças jeans, de camisas brancas, de allstars de cano médio (brancos e verde escuros somente), de pasta - fresca, de salada de brócolis, de lomografia, de dormir com rolos, de camisas de botão e de café.
horácio não gosta de alcaparras, de chantilly, de funk carioca, de hip-hop contemporâneo americano, de ovos em neve, de borrar o que escreveu, de comer ovos no café da manhã, de quando os outros rabiscam as suas coisas, de festas, de molho rosê, de quando a ponta dos lápis quebram, de passar a tarde em sol escaldante, de futebol, de ceroulas, de buzina, de norma (sua vizinha, que acabou sendo morta por seu marido e colocada na entrada de seu prédio enrolada no tapete), de ser acordado por sons urbanos, de suco de beterraba e de sucos com clorofila.
postado por rafael di celio em: [9:03 PM];
[Segunda-feira, Março 26, 2007]

postado por alexandre colchete em: [6:47 PM];
[Terça-feira, Março 20, 2007]

postado por rafael di celio em: [12:09 AM];
[Sábado, Março 17, 2007]
estranho como horácio passara a viver.
era menino e leu na revista do pai que as pessoas passam mais da metade da sua vida dormindo.
decidiu mudar a sua vida, e o sono não se encaixava nessa nova vida. crescido, em dias chuvosos sentava na praça e via - de forma lisongeada - cada pingo de chuva. agradecia por estar ali e poder ver os desenhos que a natureza fazia na terra. agradecia também por estender a sua mão e sentir os pingos batendo na palma da sua mão. acreditava piamente que nenhum outro ser humano podia ver as coisas que ele ali via. acreditava que nada podia ser tão balsâmico quanto ver a chuva.
sentava-se sempre no mesmo banco, que pintara de vermelho duas vezes já que a prefeitura era de extremo descaso com os bancos da praça colorado, e quem cuidava era horácio. dava o nome do banco de carlos drummond, porque os dois eram acolhedores segundo o rapaz.
não ter amigos era um exagero
tinha sim, seu guarda-chuva (o qual deu o nome de geremias). geremias era preto com algumas listras transparentes, havia um cabo em madeira escura, com um "u" no final e havia sido achado no metrô. geralmente, horácio não pegava as coisas que achava na rua, mas em uma tarde de vagões lotados, deixou seu guarda-chuva encostado e acabou pegando por engano. no guarda-chuva que pegou, havia uma pequena etiqueta indicando o nome do dono, geremias junto de seu telefone. ao chegar em casa ligou para geremias, e descobriu que era um senhor de 89 anos que acabou por morrer naquela tarde. decidiu prestar homenagem ao dono do guarda-chuvas e lhe deu este nome.
e tinha sim seu gato zigmund balmman. o porquê desse nome? o amor líquido. zigmund foi dado para horácio já com esse nome e essa pobre explicação. ao procurar uma vez nos livros da biblioteca nacional, achou que na verdade, seu nome era zygmunt bauman e era um grande sociólogo polonês nascido em 1925. seu nome calhou por ficar zigmund balmman mesmo, por erro de grafia da ex-dona, que se livrou do gato por brigar com o marido. horácio passava pela escadaria em caracol de seu prédio e o pequeno gato veio até ele. uma mulher de cabelos cacheados louros e batom borrado olhou para ele e disse pra ficar com o gato. e que seu nome havia sido dado por causa do amor líquido. ao ver na coleirinha azul clara o nome, gostou e ficou. o gato era cinza claro com listras pretas atrás, seu rabo era todo listrado em preto e cinza, e possuía uma barriga branca como o leite, e como jamais havia visto em outro gato.
e tinha sim, sua bicicleta carmélia. já essa foi dada para ele quando tinha bem uns 17 anos, por seu falecido pai e sua falecida mãe. horácio pintara carmélia de vermelho recentemente, porque achava que esta simpatizava com carlos drummond. há pouco, havia pechinchado com seu amigo e pagado trinta e quatro em uma cestinha para por na frente de carmélia.
e havia também carlos drummond, acolhedor como sempre.
geremias dormia. zigmund balmman dormia. carlos drummond dormia. carmélia dormia. horácio não.
trabalho?
garçom. recebia a gorjeta quase sempre em moedas e as botava na agua morna com sal e um pouquinho de bicarbonato (que ajudava a matar os germes), o que fazia com que as moedas ficassem como se produzidas na hora - gostava das moedas limpinhas e brilhantes e as guardava em casa.
as moedas já faziam um grande monte no chão.
na verdade, não usava seu dinheiro para quase nada. comia todos os dias no café brasão (o restaurante que trabalhava) e as roupas herdara do ex-dono da casa, que deixara uma quantidade enorme de coisas de bom-gosto na casa.
lazer?
existia no mundo melhor lazer que assistir a chuva? - esta era a pergunta que horácio fazia aos turistas que visitavam o café brasão e perguntavam o que fazer pela cidade quando estivesse chovendo.
à noite, escrevia poemas ou desenhava alguma forma interessante que a chuva esculpira na terra e ele se recordava. tomava água - porque odiava refrigrantes - da bica mesmo (com bastante gelo) ou o resto das garrafas de whisky de oito anos - nunca as de doze - que o dono do restaurante - "senhor ricardo" - lhe dava. a ração de gato quem lhe dava era o zelador do prédio apelidado carinhosamente de "bigode", já que possuía uma incrível tarja negra que daria inveja em qualquer general de exército francês na primeira guerra. zigmund, porém, não gostava muito, preferia o filé ao triplo burro com fettuccine que horácio trazia nas sextas-feiras - e que geralmente não durava uma hora.
"seu" ricardo, como era chamado pela maioria - que fique claro que não por horácio - era dotado de uma enorme barriga, usava camisas sociais com as mangas dobradas até a altura do cotovelo, calças sociais feitas 100% de algodão (preferencialmente pretas, e nunca cinzas) e sapatos meticulosamente lustrados pelo engraxate mudo que ficava na esquina de sua casa.
a vida era feliz pra horácio. as dores de cabeça eram curadas com o genérico do tylenol que sempre esquecia o nome (paracetamol), que era dado pela dona íris, uma dona de farmácia que era amiga da sua mãe e ficou responsável pela saúde do "menino".
dona íris era dona também de um grande nariz, sempre de casaquinho cáqui feito de crochê e um vestidinho branco como seu cabelo. mandava horácio ir buscar todas as segundas-feiras uma cestinha de remédios na farmácia. horácio se comprometia de chegar as 10:00 da manhã, e se atrasasse 10 minutos dona íris botava a cara para fora da farmácia e começava a gritar por seu nome.
horácio chegava sempre guiado por carmélia. a cestinha da bicicleta tinha tornado carmélia ainda mais atraente, e facilitava o transporte da "pequenina" cesta de remédios que dona íris lhe dava.
a rotina nunca foi um problema para horácio.
e nem abdicar de dormir.
continua...
postado por rafael di celio em: [8:18 PM];
[Segunda-feira, Março 12, 2007]

postado por rafael di celio em: [12:04 AM];
[Domingo, Março 11, 2007]
daqui não saio,
daqui não me levanto mais.
deitado em lençol frio
esgotado como jamais
onde a insensatez do mundo
me faz esgoto de seus canais.
deito por que me canso
de tratar de diferenciais
com quem não apalpa, cheira ou ouve
pois pensa como os demais.
daqui não saio,
daqui não me levanto mais.
do que me importa o furta-cor
se estou entre os animais?
que cheios de si
se comem por detrás
estuprando bom senso
a troco de um "a mais"
fazendo de si, cinzas
sem pensar no que é capaz.
daqui não saio,
daqui não me levanto mais.
postado por alexandre colchete em: [7:49 PM];
na cama sozinho,
as lágrimas encheram o mundo,
não saio daqui.
postado por rafael di celio em: [12:42 PM];